terça-feira, 31 de maio de 2011

E por que não legalizar?


Por A.M.P.
Plagiando nosso ex-presidente da republica, Luiz Inácio Lula da Silva, nunca antes na história desse país se falou tanto sobre maconha e sobre legalização, mais propriamente dito. Esta planta, ao longo dos anos, sempre sofreu com perseguições, no princípio iniciadas pelos bélicos Americanos do Norte, onde a erva era usada em grande escala por imigrantes mexicanos, o que gerou a marginalização tanto da erva como do imigrante. Proibida por preconceito, nem sequer estudos foram desenvolvidos, ao contrário, foi proibido qualquer estudo sobre o assunto na época. No Brasil a repressão não foi diferente. Inicialmente os usuários eram os negros escravos que acabaram por implantaram a erva no país, porém, passou a ser proibida na década de 20 em meio a II Conferência Internacional do Ópio, em Genebra. Na ocasião o delegado brasileiro Dr. Pernambuco afirmou para as delegações de 45 outros países que "a maconha é mais perigosa que o ópio". Desde então a Cannabis vem sido perseguida e proibida através da repressão, que engloba não só a erva, mas também ao usuário.
Essa cultura de marginalização da erva e do usuário acabou por criar, além de preconceito, um tabu onde se evita falar sobre o assunto. Existem poucas informações não tendenciosas sobre a maconha que estão ao alcance da sociedade, porém, tenta-se privar a massa do conhecimento canabico, criando assim, os mitos em torno da maconha.

Pouco se sabe do seu uso medicinal no nosso país, pois as pesquisas são proibidas. A maconha já é usada em diversos países contra os males da quimioterapia, dores, glaucoma, além de tratamentos feitos na Inglaterra, com usuários de crack, onde desses, 68% abandonaram o crack, e ficaram apenas consumindo a maconha, e anos depois, não utilizavam qualquer tipo de droga. Sua semente pode ser utilizada para a fabricação do bio combustível, além do cânhamo, fibra do pé da maconha, que pode ser utilizada na indústria têxtil, e, a título de curiosidade, as primeiras caravelas que chegaram ao nosso continente, suas cordas, e velas eram feitas de cânhamo!

Podemos acompanhar no gráfico a baixo (retirado do site http://www.growroom.net/) o resultado de um estudo liderado pelo psiquiatra e neurocientista inglês David Nutt e publicado no periódico científico The Lancet, que analisou os danos causados por drogas consideradas lícitas e ilícitas ao usuário e a sociedade. Através dessas informações podemos tirar algumas conclusões e nos perguntar porque se esconde essas informações e porque não se fala nesse assunto.



Assistimos no ano passado uma cruzada contra as drogas, com a invasão do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, através da mais pura repressão, não só contra os traficantes, mas contra os moradores das comunidades. Essas ações foram muito contestadas, não pela grande mídia é lógico, pois a mesma esconde os fatos e não quer debater esse assunto. A partir daí, percebe-se que a política antidrogas de repressão não é nada eficaz, e só gera mais violência que o crime organizado. No que se segue, notou-se um debate um pouco mais aberto sobre o assunto, onde foi considerado que a questão das drogas é também um problema de saúde pública. Nas últimas eleições até houve candidato a Deputado Federal, pelo PSOL, com a bandeira da legalização, Roberto Cinco, sociólogo, organizador da marcha da maconha no Brasil, onde sua campanha se fez totalmente em torno da legalização.

No dia 21 desse mês de maio, na capital paulista, como em inúmeras outras cidades brasileiras e paralelamente em mais de 40 países todo ano, ocorreu mais uma edição da Marcha da Maconha, pedindo a legalização e abrindo o debate desta causa. A polícia repressiva paulistana porém, nos proporcionou algumas cenas de violência e repressão, parecidas com as acontecidas durante a ditadura no nosso país, perseguindo manifestantes, usando da truculência já conhecida, para mais uma vez tentar reprimir e esconder a questão em torno da maconha. Essa ação, por ironia do destino, apenas colaborou com o debate. Com repercussão internacional da manifestação e da repressão policial, a grande mídia obrigou-se a noticiar e falar sobre o assunto, como vimos na noite de domingo dia 29, onde o programa da Rede Globo, Fantástico, que apresentou uma longa matéria sobre o assunto, com declarações de doutores e também do ex-presidente da república FHC do PSDB, que há anos se posicionou favorável da legalização. O ex presidente disse ter amadurecido diante do assunto e constatou que a repressão feita pelo seu governo fora a pior forma de combater o tráfico, e que a política antidrogas deve ser rediscutida.

Vemos a parte da esquerda e parte da direita com o mesmo discurso, cabe a nós agora nos informarmos sobre o assunto e levantarmos o diálogo sobre a legalização. Porém, não basta legalizar, o preconceito ainda estará incrustado no nosso meio social, assim como, por exemplo, a repressão diante da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, o preconceito ainda está por ai, e isso deve ser combatido.

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