quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

El analfabeto político - Bertolt Bretch



El peor analfabeto
es el analfabeto político.
Él no oye, no habla
ni participa en los acontecimientos políticos.

No sabe que el costo de la vida,
el precio de los frijoles, del pescado,
de la harina, del alquiler, del calzado
y de las medicinas
dependen de las decisiones políticas.

El analfabeto político es tan animal
que se enorgullece e hincha el pecho
al decir que odia la política.

No sabe el imbécil que
de su ignorancia política proviene
la prostituta, el menor abandonado,
el asaltador, y el peor de los bandidos,
que es el político aprovechado,
embaucador y corrompido,
lacayo de las empresas nacionales y multinacionales.

Eduardo Galeano


Pobres,
lo que se dice pobres,
son los que comen basura y pagan por ella como si fuese comida.

Pobres,lo que se dice pobres,
son los que no tienen tiempo para perder el tiempo.

Pobres,lo que se dice pobres,
son los que no tienen silencio ni pueden comprarlo.

Pobres,lo que se dice pobres,
son los que tienen piernas que se han olvidado de caminar,
como las alas de las gallinas se han olvidado de volar.

Pobres,lo que se dice pobres,
son los que comen basura y pagan por ella como si fuese comida.

Pobres,lo que se dice pobres,
son los que tienen el derecho de respirar mierda,
como si fuera aire, sin pagar nada por ella.

Pobres,lo que se dice pobres
son los que no tienen más libertad de elegir entre uno y otro canal de televisión.

Pobres,lo que se dice pobres,
son los que viven dramas pasionales con las máquinas.

Pobres,lo que se dice pobres,
son los que son siempre muchos y están siempre solos.

Pobres,
lo que se dice pobres,
son los que no saben que son pobres. (E. Galeano)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

UNICEF confirma que Cuba es el único país sin desnutrición infantil. Para el 2015 eliminarán la pobreza.


De acuerdo con el documento, 28% de estos niños son de África, 17% de Medio Oriente, 15% de Asia, 7% de Latinoamérica y el Caribe, 5% de Europa Central, y 27% de otros países en desarrollo.
En el último informe del Fondo de las Naciones Unidas para la Infancia (UNICEF) titulado de “Progreso para la Infancia un Balance sobre la Nutrición”, determinó que actualmente en el mundo existen 146 millones de niños menores de cinco años con problemas de graves de desnutrición infantil. De acuerdo con el documento, 28% de estos niños son de África, 17% de Medio Oriente, 15% de Asia, 7% de Latinoamérica y el Caribe, 5% de Europa Central, y 27% de otros países en desarrollo.
Cuba sin embargo no tiene esos problemas, siendo el único país de América Latina y el Caribe que ha eliminado la desnutrición infantil, todo esto gracias a los esfuerzos del Gobierno por mejorar la alimentación, especialmente la de aquellos grupos más vulnerables. Además, la Organización de las Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura (FAO) también ha reconocido a Cuba como la nación con más avances en América Latina en la lucha contra la desnutrición.
Esto se debe a que el Estado Cubano garantiza una canasta básica alimenticia y promueve los beneficios de la lactancia materna, manteniendo hasta el cuarto mes de vida la lactancia exclusiva y complementándola con otros alimentos hasta los seis meses de edad. Además, se les hace entrega diaria de un litro de leche fluida a todos los niños de cero a siete años de edad. Junto con otros alimentos como compotas, jugos y viandas los cuales se distribuyen de manera equitativa.
No por nada la propia Organización de las Naciones Unidas, (ONU) sitúa al país a la vanguardia del cumplimiento de materia de desarrollo humano. Y por si fuera poco para el año 2015, Cuba tiene entre sus objetivos eliminar la pobreza y garantizar la sustentabilidad ambiental.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sonho

Sonhei que o Poeta Mario Quintana
Pensou, certa vez,
Enterrar a Poesia,
E erigir-lhe um jazigo,
Com a inscrição:
“Aqui jaz a Poesia”.

No momento em que ia
Executar seu projeto,
Viu um cachorro
Dormindo numa calçada.

Desistiu
Do enterro.

Declarou singelamente:
Enquanto os cachorros forem aliados
Da Poesia,
Ela não morrerá (Armindo Trevisan)

Gato Afrodescendente; O Multividas do Subúrbio

Sou gato, grato, multi-vidas, muitos vícios, vários vácuos em mim perdidos.
Sou sex-simbol e símbolo de azar, pretinho, básico, de arrasar.
Sou branco de alma, azul de fome-de-saber, rosa quando feminino devo ser.
Sou amarelo, índio, misto, pardo pra valer, mulato claro, moreno escuro,
Caboclo, cafuzo, confuso, sarará, infinito e além, saravá, shalom e amém.
Mas acima de tudo, sou negro, essa é minha cor, já minha raça é gato, por favor.
Sou carioca da gema, hoje sem algema, sou “váriox serex”, assim “mermo”
Sou terra sem lei, sem eira e nem beira, bola de pelo que não segue termo.
Sou músico famoso, cantor de telhado, faço voz e vídeokê.
Sou lúdico e despentelhado, com gaita, sem gata, sei lá o por quê.
Não sou de dormir muito e esclareço pra você
Apenas descanso os olhos, e sonho enquanto isso me proponho a fazer.
Sou livre de corpo e calda, não tenho casa, moro andando.
Aliança não me castra, só amar pra mim já basta, eu me mando.
Sou leve, sou solto, podes crer, perdoo quem me deve, cobro só por prazer
Sou raro, único na verdade, odeio quem muito late, e pouco tem a dizer.
Não morri todas as vezes que posso, mas renasço a cada nova lua cheia
Com ou sem lençol e meia, com veste de lã ou qualquer outro troço.
Sou da favela, do gueto, da falada da noite, do antimedo, da sacada
Sou do Rio, das minas, de seu São sabe-se lá o que, sei lá.
Sou do Brasil, de Moçambique, Dinamarca, amigo da nobreza.
Sou de Passárgada. Um dia vou-me embora para lá.
Sou eu, sou teu, sou breu de assustar
Sou mel, sou céu, sou noite de luar. (Poesia de rua)

Poema para uma amada invisíve

Dos cantos dos teus lábios, escorre a melodia-mel que me encanta 
Da tua alegria, de quem descobre o mar, ao frio aquece e ao medo espanta 
Da tua cor de noite, em luas gêmeas, sobre sorriso cândido disputam o iluminar 
De tua voz serena e sem pressa, de um quase sono a me ninar. 
Das palavras, tão tuas, mais tão tuas, que já até em mim entoam. 
Dos desejos, tão meus, mas tão seus, pois de ti ressoam. 
Dos teus vários eus, escolho não um, mas todos, e também meus tantos hei de conhecer 
De tão longe te ofereço, um coração que faz poemas pra teu riso o fazer bater. 
De todo esse seu todo, que mal o mundo o contém. 
De que só admirar, graça alguma tem.

O que quero de você

Quero que você me diga quando descobrir o que quer de mim.

Quero que me ache sem noção e desequilibrado.

Quero que me beije, de rosto em pé e inclinado.

Quero lamber teus olhos e beijar invertido.

Quero sambar contigo sem ficar constrangido.

Quero poemas sobre mim em seu blog. Ainda mais se ninguém puder entender.

Quero fazer amor com você e ser pervertido quando achar que devo ser.

Quero receber suas ligações e torpedos.

Quero entrelaçar mais vezes nossos dedos.

Quero que se jogue sem saber se vou te segurar ou não.

Quero sentir o calor de seu ombro e tocar sua mão.

Quero te dar poesia, respiração ofegante e sorriso.

Quero ouvir teus não-sei. Pois assim eu decido

Quero que seja preta e marrenta, pois gosto disto.

Quero que conte trechos de filmes que eu já tenha visto.

Quero ler livros ao telefone com você e quero ainda mais que pague por eles.

Quero que me pergunte sobre lugares, antes de ler a placa deles.

Não quero fingir que nos encontramos ao acaso.

Não quero que diga que confia em mim quando não confia.

Não quero me dar sem te receber em troca.

Não quero ficar na sua mão, se você não estiver disposta a ficar no meu bolso.

Não quero esperar horas por resposta de um e-mail seu.

Não quero que seja só porque eu quero que você seja.

Não quero fazer rima do que não quero de você.

Quero que seja apenas você. E tudo o mais que desejar ser.

Quero que queira tudo o que quer de mim, portanto que tudo seja pra valer.

Ei Burguês!

Tenho-te aqui meia dúzia de porquês:

Por que tu, que já foste um revolucionário hoje és só ex ?
Por que vós que lutastes contra a monarquia, viveis todos como reis?
Por que no seu mundo-burgo o povo além de servo é freguês?
Por que tu que não segues uma regra se quer, és o que inventas as leis?

Ei burguês,

Desculpe-me se minha meia-dúzia não tem seis
É que não aprendi a contar na mesma escola de vocês
E meus filhos que tinham tudo pra serem pretinhos como os pais
Tem tanta fome, que já perderam a cor sua tez.
Pois a cada salário ínfimo que passa tem mais dia no meu mês

Ei burguês, por que nunca me ensinaram que:

Em toda história do mundo, quando pela primeira vez o poder sair das mãos de uns poucos, e a maioria puder ter voz, e nós (o povo) teremos vez?

Pra eu viver melhor, tenho apenas que extinguir o patrimônio privado e quando tudo a todos for dado, acabará minha tacanhez.

Poesia

Poesia

poesia não é pastel
pra sair na hora.
Aflora.
Além da pressa
e da demora,
no vão do tempo
e da memória.
No substrato da ideia
a imagem
busca o trajeto.

Poesia não é projeto
a ser aprovado
por acadêmicos
mal humorados,
inchado de tanto saber.
No bastidor de um gemido,
dançam várias palavras
que trazem algum sentido
ao vazio do texto.

Poesia não é pretexto
para comer mulheres.
No tilintar dos talheres,
na dissonância das falas,
no alvoroço dos carros
é que a poesia acontece.

Desce e dobra a esquina,
bebe um rabo de galo
acende um velho cigarro
e vai encontrar o poeta
que dorme sob a sarjeta.

Poesia não é gorjeta
pra ser dada em sinal fechado.
E esse anjo
sentado ao meu lado
disse ser poesia
a explosão do silêncio.

história de grandes judeus

O primeiro deles foi Moisés, que tem revelação no alto do monte Sinai e ergueu as mãos para o alto a fim de receber a lei. E dá a primeira grande explicação da vida: “Tudo vem do céu”. A seguir é a vez de Salomão. Ele baixa as mãos do céu para a própria fronte; “Tudo vem daqui... da sabedoria, da luz, da justiça e da inteligência. Tudo vem da cabeça”. Poucos anos passaram e um Cristo fez a mão descer da cabeça ao coração. “Tudo é amor. Ama teu próximo como a ti mesmo. Tudo vem do coração”, coisa, aliás, que funcionou às mil maravilhas até que surgiu um Marx, que fez a mão descer ainda mais, até o estômago. “Tudo está aqui. Os verdadeiros conflitos, o significado dos sentidos e filosofias da vida estão na economia. Aqui, tudo está na barriga.” Mas não tardou e apareceu Freud. Deixa a mão escorregar ainda mais para baixo, com todo respeito, até as partes, enfim, libertinas, amatórias. Explica: “O sentido profundo de tudo está aqui, no sexo”. A esta altura aparece Einstein e lhes dá um basta: “Atenção rapazes! Cuidado: Tudo é relativo”.
                                      (Do livro “A cabeça de Alvise” de Lina Wertmiller- ed. Record.)
E nós que ainda temos um pouco de lucidez, que poderíamos dizer hoje diante deste mundo-sociedade: “Tudo é banal! Tudo é virtual! É preciso consumir”!
Um pequeno texto de Epicuro
Deus quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer e nem pode, ou quer e pode.
Se quer e não e não pode é impotente: o que é impossível em Deus. Se pode e não quer é invejoso: que do mesmo modo é contrário a Deus. Se nem quer e nem pode, é invejoso e impotente: portanto, nem sequer é Deus. Se pode e quer, o que é a única coisa compatível com Deus, donde provém então a existência dos males? Por que razão é que não os impede?”

Uma declaração de Darcy Ribeiro

“Vida, seja qual for, é uma coisa boa. Eu adoro viver e vou tirar dela tudo o que puder, lendo, entendendo, comendo, saboreando e namorando. Não tenho medo da morte, porque, quando ela vier, viro um objeto que esfria para ser comido pelos corós. Essa situação não me preocupa. Se por acaso Deus existe, apesar de até hoje não ter me dado nenhuma prova disso, vou falar com ele de homem para homem e vamos nos entender”.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

dois anos Inativa

Apesar dos pesares, com reformas feitas e também reformas que precisariam ser feitas, algumas publicações sem um ponto de vista político partidário, com algumas exceções,bem poucas. Estamos completando dois anos desde a primeira publicação, agradecendo a todos que contribuíram com textos e comentários, e até mesmo aqueles que só olharam de vez em quando em suas horas vagas. Colocaremos novamente o Inativa Funcional em atividades e contamos com a colaboração de todos que queiram ajudar, seja com textos, com pedidos, com críticas e com pequenas olhadas.
Gratos

domingo, 5 de junho de 2011

A Moção com erros ortográficos de Paese

No último post comentamos sobre a perseguição política ao livro do MEC destinado ao ensino da língua portuguesa pra alunos do EJA.

Em Caxias do Sul o nobre vereador Paese destila vêneno a linguagem popular e a flexibilidade da língua em uma moção de repúdio ao livro, no mínimo contraditória, com os tão abomináveis erros ortográficos também!

Abaixo o link da moção para análise:

http://www.camaracaxias.rs.gov.br:81/ControlDoc.nsf/94fbe1bc804a95560325702d00475dcc/3F089AA156FC3F9F832578A30055657B

 




Por: A.M.P.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Vereador Paese ao estilo faça o que digo, não faça o que eu faço


Estamos assistindo mais uma perseguição do PIG ( Partido da Imprensa Golpista ) e da oposição, além de jornalistas mal informados e mal intencionados, a respeito do polêmico livro didático de português do MEC “Por uma Vida Melhor”, o qual é acusado de promover e incentivar os erros de português.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, em um comentário diz que essa perseguição possui um “viés fascista”, usando com exemplo de referência Hitler e Stálin, e segundo suas declarações, “pelo menos Stálin lia os livros de seus inimigos antes de persegui-los, ao contrário de Hitler”, rebatendo as críticas de muitos que sequer leram o livro.

“Já faz mais de 15 anos que os livros didáticos de língua portuguesa disponíveis no mercado e avaliados e aprovados pelo Ministério da Educação abordam o tema da variação lingüística e de seu tratamento em sala de aula. Não é coisa de petista.” afirma Marcos Bagno, escritor, tradutor, lingüista e professor da UNB.

O livro é destinado a alunos do EJA ( Educação de Jovens e Adultos) que em sua grande maioria, são pessoas de baixa renda e pouco estudo. Nas aulas de docência em que participei, com propósitos freireanos, sempre aprendemos que devemos levar para a sala de aula temas e formas de aprendizagem que façam parte da realidade dos alunos, para que encontrem ressonância nas atividades e participem através de algo que faça parte do seu dia a dia. Desta forma, o livro faz com que essas classes populares possam se reconhecer no material didático. Não é por menos que a Associação Brasileira de lingüística defende o livro do MEC afirmando que está em acordo com os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) --normas a serem seguidas por todas as escolas e livros didáticos. E muito bem lembrado pelo colunista Ciro Fabres na Coluna Mirante do Jornal Pioneiro do dia 2/06, na página 12 do livro em questão cita que: “Como a linguagem possibilita acesso a muitas situações sociais, a escola deve se preocupar em apresentar a norma culta (ao aluno), a fim de empregá-la quando necessário.”

Alguém que não deve ter entendido, ou lido o livro foi o vereador Harty Moisés Paese (PDT) que pediu uma moção de contrariedade ao livro, sendo aprovada, por outros vereadores que creio também não se deram ao trabalho de ler. Para o vereador estas flexibilizações da gramática são criminosas, como divulgadas na coluna Mirante do jornal Pioneiro, porém sua moção, segundo a vereadora Denise Pessoa (PT), está recheada de erros de português, erros de pontuação, crase. Se realmente existem todos esses erros, senhor Paese, então o senhor é um criminoso também.

Querem acabar com a linguagem popular, ou não passa de uma perseguição puramente política, pois o bem estar e a educação do brasileiro não estão em jogo nesse embate. Provavelmente existem erros de português neste texto, mas quem ler irá entender, concordar, ou não, vai de cada um.

Por: A.M.P

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Carta compromisso do 1º Encontro de Blogueir@s e Tuiteir@s do RS

(Câmara Municipal de Porto Alegre – 29 de maio de 2011)
O 1º Encontro de Blogueir@s e Tuiteir@s do Rio Grande do Sul se constitui baseado na convicção de que a comunicação é um direito universal. No Brasil, no entanto, ela é tratada como um produto, de acordo com a lógica de mercado, que transforma direitos em privilégios de uma pequena parcela da população, tornando-se, assim, uma ferramenta de opressão e marginalização. Para que todos e todas tenham acesso não apenas a uma informação qualificada e plural, mas à produção de conteúdo, defendemos a participação de toda a sociedade no debate da comunicação que queremos. É nesse contexto que se inserem os meios digitais, como uma alternativa democrática e acessível para ampliar as vozes e tornar a comunicação efetivamente um direito de todos os setores da sociedade.
Para que seja garantido o acesso e a pluralidade da comunicação, defendemos:
1. Discussão com a sociedade civil organizada para a criação do Conselho Estadual de Comunicação, discutindo a execução de políticas públicas para democratizar a comunicação digital, garantindo a ampliação do acesso aos meios de expressão.
2. Políticas públicas para a comunicação e os comunicadores e as comunicadoras digitais, que levem em consideração a necessidade de capacitação e investimentos, para viabilizar e qualificar a produção de conteúdo web, e a democratização das verbas de publicidade.
3. Políticas de empreendedorismo, fomento e formalização, de forma que os comunicadores e as comunicadoras digitais possam cumprir as necessidades legais para a plena prestação de serviço.
4. Capacitação, organização e articulação coletiva e permanente da rede #BlogProgRS, por regiões do estado e temas de intervenção, além da interação com os movimentos sociais.
5. Um serviço público de banda larga para acesso domiciliar e em espaços públicos, que garanta a ampla transmissão e recepção de conteúdos multimídias, como um direito universal para todos e todas.
6. Inclusão digital com políticas públicas de acesso, em espaços com conteúdo e projeto pedagógico, quando possível, em articulação com a educação popular e formal, para qualificação e formação continuada de comunicadores e comunicadoras digitais.
7. Garantia da liberdade de expressão e livre circulação da informação, pelo bem da democracia e do livre debate, contra iniciativas de cerceamento na internet, como o AI5 Digital, a censura exercida pela mídia tradicional sobre a Blogosfera e a criminalização dos blogueir@s.
8. Manutenção da neutralidade na rede, pela igualdade de condições de acesso a todas as informações disponíveis na internet.
9. Revisão da Lei de Direito Autoral para a ampliação da produção, do compartilhamento e da distribuição de conteúdo.
10. Uma Lei de Meios para regulamentar a comunicação, que combata os monopólios e garanta programação regionalizada, diversificada e qualificada.

terça-feira, 31 de maio de 2011

E por que não legalizar?


Por A.M.P.
Plagiando nosso ex-presidente da republica, Luiz Inácio Lula da Silva, nunca antes na história desse país se falou tanto sobre maconha e sobre legalização, mais propriamente dito. Esta planta, ao longo dos anos, sempre sofreu com perseguições, no princípio iniciadas pelos bélicos Americanos do Norte, onde a erva era usada em grande escala por imigrantes mexicanos, o que gerou a marginalização tanto da erva como do imigrante. Proibida por preconceito, nem sequer estudos foram desenvolvidos, ao contrário, foi proibido qualquer estudo sobre o assunto na época. No Brasil a repressão não foi diferente. Inicialmente os usuários eram os negros escravos que acabaram por implantaram a erva no país, porém, passou a ser proibida na década de 20 em meio a II Conferência Internacional do Ópio, em Genebra. Na ocasião o delegado brasileiro Dr. Pernambuco afirmou para as delegações de 45 outros países que "a maconha é mais perigosa que o ópio". Desde então a Cannabis vem sido perseguida e proibida através da repressão, que engloba não só a erva, mas também ao usuário.
Essa cultura de marginalização da erva e do usuário acabou por criar, além de preconceito, um tabu onde se evita falar sobre o assunto. Existem poucas informações não tendenciosas sobre a maconha que estão ao alcance da sociedade, porém, tenta-se privar a massa do conhecimento canabico, criando assim, os mitos em torno da maconha.

Pouco se sabe do seu uso medicinal no nosso país, pois as pesquisas são proibidas. A maconha já é usada em diversos países contra os males da quimioterapia, dores, glaucoma, além de tratamentos feitos na Inglaterra, com usuários de crack, onde desses, 68% abandonaram o crack, e ficaram apenas consumindo a maconha, e anos depois, não utilizavam qualquer tipo de droga. Sua semente pode ser utilizada para a fabricação do bio combustível, além do cânhamo, fibra do pé da maconha, que pode ser utilizada na indústria têxtil, e, a título de curiosidade, as primeiras caravelas que chegaram ao nosso continente, suas cordas, e velas eram feitas de cânhamo!

Podemos acompanhar no gráfico a baixo (retirado do site http://www.growroom.net/) o resultado de um estudo liderado pelo psiquiatra e neurocientista inglês David Nutt e publicado no periódico científico The Lancet, que analisou os danos causados por drogas consideradas lícitas e ilícitas ao usuário e a sociedade. Através dessas informações podemos tirar algumas conclusões e nos perguntar porque se esconde essas informações e porque não se fala nesse assunto.



Assistimos no ano passado uma cruzada contra as drogas, com a invasão do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, através da mais pura repressão, não só contra os traficantes, mas contra os moradores das comunidades. Essas ações foram muito contestadas, não pela grande mídia é lógico, pois a mesma esconde os fatos e não quer debater esse assunto. A partir daí, percebe-se que a política antidrogas de repressão não é nada eficaz, e só gera mais violência que o crime organizado. No que se segue, notou-se um debate um pouco mais aberto sobre o assunto, onde foi considerado que a questão das drogas é também um problema de saúde pública. Nas últimas eleições até houve candidato a Deputado Federal, pelo PSOL, com a bandeira da legalização, Roberto Cinco, sociólogo, organizador da marcha da maconha no Brasil, onde sua campanha se fez totalmente em torno da legalização.

No dia 21 desse mês de maio, na capital paulista, como em inúmeras outras cidades brasileiras e paralelamente em mais de 40 países todo ano, ocorreu mais uma edição da Marcha da Maconha, pedindo a legalização e abrindo o debate desta causa. A polícia repressiva paulistana porém, nos proporcionou algumas cenas de violência e repressão, parecidas com as acontecidas durante a ditadura no nosso país, perseguindo manifestantes, usando da truculência já conhecida, para mais uma vez tentar reprimir e esconder a questão em torno da maconha. Essa ação, por ironia do destino, apenas colaborou com o debate. Com repercussão internacional da manifestação e da repressão policial, a grande mídia obrigou-se a noticiar e falar sobre o assunto, como vimos na noite de domingo dia 29, onde o programa da Rede Globo, Fantástico, que apresentou uma longa matéria sobre o assunto, com declarações de doutores e também do ex-presidente da república FHC do PSDB, que há anos se posicionou favorável da legalização. O ex presidente disse ter amadurecido diante do assunto e constatou que a repressão feita pelo seu governo fora a pior forma de combater o tráfico, e que a política antidrogas deve ser rediscutida.

Vemos a parte da esquerda e parte da direita com o mesmo discurso, cabe a nós agora nos informarmos sobre o assunto e levantarmos o diálogo sobre a legalização. Porém, não basta legalizar, o preconceito ainda estará incrustado no nosso meio social, assim como, por exemplo, a repressão diante da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, o preconceito ainda está por ai, e isso deve ser combatido.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Vivência no acampamento do MST

Das Marias, Marilzas, Nelis e Davis – Canto de Um Povo de Um Lugar


Meu nome é a Pâmela e esta é a minha história de vida. A vontade de participar do EIV (Estágio Interdisciplinar de Vivência) num outro estado – no caso o Rio de Janeiro – perpassou e perpassa a mística da estrada: em cada manhã, em cada tarde, em cada noite de corujas e mosquitos, é necessário recolher pequenas histórias de vida pelo caminho. Histórias de pessoas que exigem o despertar da indignação. Histórias de mulheres e homens simples, que se colocaram à disposição dos caminhos coletivos. Histórias de quem, com mãos calejadas e coração acolhedor, semeia a solidariedade. A etapa de vivência do EIV foi assim, construída a partir das memórias vivenciadas ao longo do caminho. Encarnadas, pois entraram em mim e me fizeram parte delas.

A casa da Madre Marilza, localizada no assentamento Zumbi dos Palmares IV, foi minha moradia durante os 10 dias de vivência. Ali re-descobri a bicicleta: era um dos meios de transportes mais valiosos e usufruídos pelos moradores e moradoras. A mesma bicicleta que me remetia à infância e me deslocava de um lote para outro era a mesma que percorria a estrada e recolhia as histórias de vida pelo caminho. Nos dois últimos dias foram 70 km de pedaladas, alegrias e partilhas. Dona Marilza, mulher assentada há cerca de 5 anos, planta um coqueiro cada vez que ganha uma neta ou um neto. Conta ela que depois de 3 anos o coqueiro plantado satisfaz a alegria deles com muita água. Uma de suas netas é Tuani, com quem vive junto. Dona Marilza, mulher trabalhadora e sonhadora trabalha com Fitoterapia: conhece muito bem a terra, seu saber e as propriedades das plantas. Madre Marilza já foi parteira e tem um longo conhecimento sobre as fases da lua e de como elas participam do ciclo das mulheres e da agricultura. Hoje sua contribuição para o Movimento das Trabalhadoras e dos Trabalhadores Sem Terra está na elaboração de remédios naturais para acampados e acampadas e na partilha de alimentos que a terra gera.

Dona Neli, mulher assentada do Dandara dos Palmares, é outra fitoterápica e lutadora. Talvez o refrão “Quando chegar na terra, lembre de quem quer chegar, quando chegar na terra, lembre que tem outros passos pra dar” possa traduzi - lá. Insiste no desafio do trabalho de base, da conscientização política das assentadas e dos assentados. Sua insistência de transformar a sociedade perpassa na crença do Jesus Cristo perseguido político e revolucionário.

Davi, assentado do Che Guevara, nos contou muitas histórias dos excluídos e das excluídas da região de Campos dos Goytacazes. Uma delas é de Carukango, escravo que lutou pela liberdade de seus irmãos e de suas irmãs escravizados. Davi, de estatura pequena, mas de sonhos do tamanho da Esperança, teima em participar da construção de um acampamento que carregue o nome do quilombola.

As histórias de Madre Marilza, Dona Neli e Davi perpassam o ITERRA. Quando contavam as histórias no tempo que estudaram no instituto, as lembranças e os cheiros da Serra Gaúcha lavavam-me de saudade. Marilza e Neli formaram-se em Técnicas em Saúde Comunitária, já Davi em Administração de Cooperativas. Outro tecido em comum é a localização de seus assentamentos: o município de Campos dos Goytacazes. Ele é marcado pelo conservadorismo, latifúndio, desigualdade e todas as outras palavras que revelam a exploração do homem pelo homem. É o município do Estado do Rio de Janeiro com o maior número de latifúndios (cana de açúcar, principalmente) e de trabalho escravo, o último a acatar a abolição da escravidão e o berço da organização católica ultraconservadora Tradição, Família e Propriedade (TPF). A resistência contra esta cerca latifundiária, escravocrata e desumana são as vidas de Marilza, Neli, Davi e tantas outras vidas Sem Terra. Como a canção nos fala, tomaram a história pelas próprias mãos.

Estas e outras histórias foram recolhidas durante a vivência. Como cada retalho de tecido costura a coberta, cada história de vida escreve nosso corpo de valores, sonhos e possibilidades. O estágio re-encantou a caminhada na militância. Dona Maria, assentada do Josué de Castro, nos contou que quando somos Sem Terra não nos falta nada, pois tudo é partilhado. A vivência com as e os sem terra trouxe a certeza de uma vida concretizada nos caminhos coletivos. Que é urgente despertar a rebeldia que mora nas pessoas, mas que o sistema do capital, com suas televisões, sorrisos de creme dental, moralismos religiosos, escritórios e gravatas, trata de escondê-la. É urgente voltarmos para nossas comunidades e com sentimento de pertencimento à luta nos colocarmos a disposição da organização criativa e rebelde do povo! Nesta vivência mora a Sem (ente) Terra. Meu nome é Pâmela e estas são as histórias de vidas que me costuraram.

Por: Pâmela Grassi

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Intolerância na crise

A poucos dias presenciamos declarações preconceituosas de um deputado, este senhor atirou aos quatro ventos, frases contra as minorias, sem o menos pudor, abertamente, para todo o pais ver. São declarações carregadas de ódio, não é brincadeira, como já vimos na televisão antes, é o seu preconceito descarado e praticado.
Parece-me, que passamos por um surto de intolerância. Recentemente lemos de uma pequena parcela do eleitorado, do ex-candidato a presidência José Serra, diversas manifestações contra os nordestinos, por terem votado em massa, na atual presidenta Dilma Roussef, vemos vindo do exterior, declarações machistas de Silvio Berlusconi, primeiro-ministro italiano, difamando mulheres, e se não bastasse o partido italiano Povo da Liberdade (PDL),  legenda de Silvio Berlusconi, apresentou ao Senado italiano um projeto de lei que busca invalidar a lei que proíbe o fascismo no país, além de outras medidas, que já foram adotadas pelo governo, que levam rumo ao fascismo, uma determina o confinamento dos ciganos em áreas previamente determinadas, e sob vigilância policial. Em Porto Alegre, presenciamos, desta vez não em palavras, mas sim as vias de fato, um motorista atira seu automóvel contra ciclistas, que faziam uma manifestação, e mais recentemente, também em uma manifestação, no Rio de Janeiro, um motorista, exaltado, proporcionou a mesma cena.
Nos dias de hoje, mais do que nunca, vivemos atarefados, correndo atrás da máquina, atrás do nosso bem estar, atrás do nosso capital, o que nem de repente seja culpa nossa, e sim de um todo que nos impede de refletir, não pensamos no próximo, nos tornando intolerantes de mais, também não se deve ter uma total tolerância de tudo, o ato de tolerar tudo, não significa que estejamos evoluindo, ou convivendo melhor, a tolerância pode ser maléfica no momento em que ao ser tolerante com tudo, fugimos do debate, do senso crítico, podendo isso ser usado de diversas formas, e por diversos interesses, podendo se tornar perigoso.
Não é só de grandes nomes que vive o preconceito, o deputado foi colocado lá pela população, e uma população, de certa forma organizada, e esses sentimentos estão vivos no nosso meio.
Especialistas dizem que o capitalismo, principalmente na Europa, passa por uma grande crise, vemos as taxas de desemprego chegando aos dois dígitos em países europeus, colocando uma grande parte da culpa nos estrangeiros e não, e continuando com a intolerância, e não se pode esquecer, que são nas crises que o sistema totalitário de extrema direita encontra terreno fértil para se enraizar.

Por A.M.P.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A quem interessa o novo Código Florestal


Não é novidade que está em debate o novo Código Florestal, cujo relator é o Deputado Aldo Rebelo, do PC do B. Debate aliás, que tem sido acirrado, com exaltação dos ânimos dos defensores e daqueles que criticam o projeto. Acompanhei na noite de ontem, 24 de maio, a votação e confesso que fiquei muito frustrado. Aliás, além de frustrado, teria ficado confuso, se não soubesse do que se passa por baixo dos panos. Digo isso por que, como eu poderia explicar o fato de um projeto nitidamente ruralista, que anistia crimes ambientais já cometidos e que autoriza futuros desmatamentos, pudesse estar sendo defendido e relatado por comunistas? Além disso, na esquizofrenia desta discussão, estavam do mesmo lado PC do B, PMDB, DEM e PSDB! De fato, difícil explicar, se eu não tivesse conhecimento de que os ruralistas do brasil inteiro, numa espécie de “vaquinha” entre eles, arrecadaram cerca de 800 milhões de reais, para bancar as campanhas de muitos deputados. Agora estão cobrando a conta, claro. Mas esses 800 milhões não são nada, perto dos 8 bilhões que os ruralistas devem de multa para o Ibama, por terem cometido crimes ambientais, que agora serão anistiados se este código florestal for aprovado. Todas essa informações a grande mídia não nos passa, por que muitos dos seus amigos são ruralistas. Aliás, alguns jornalistas seus, que se candidataram e se elegeram, representam hoje os interesses ruralistas no Congresso e no Senado. Aqui no RS, elegemos uma Senadora, que o pudor me impede de dizer o nome. E antes que eu seja mal entendido, quero esclarecer que ruralista não é pequeno agricultor e nem agricultor familiar. Ruralista é o grande agricultor, o latifundiário, o grileiro, o responsável pelo êxodo rural, e aquele que não tem nenhuma responsabilidade ambiental. Esse é o ruralista. Por favor, não confundam ele com o nosso valente pequeno agricultor. Aliás, apesar de toda a desinformação por parte dos defensores deste projeto, argumentando que ele beneficia os pequenos agricultores, apenas 8% destes foram multados por desmatamento, segundo dados governamentais. Os verdadeiros beneficiados com o novo Código Florestal serão os grandes fazendeiros, entre eles, 27 deputados federais da direita (PMDB, PSDB, DEM, e outros), que em breve entrarão no Serasa e não poderão mais acessar recursos públicos ou de crédito, se não pagarem as suas multas junto ao Ibama.

Na votação de ontem à noite, produziu-se um racha na base do governo. De um lado, o PMDB, liderado por Henrique Eduardo Alves e o PC do B, por Aldo Rebelo, eram os defensores mais veementes deste novo código, e fortemente aplaudidos pelos seus correligionários do DEM e PSDB. Enquanto isso, o PSOL de Ivan Valente e o PV de Alfredo Sirkis, apoiavam a decisão dos deputados do governo, liderados por Cândido Vacarezza, que criticavam principalmente a emenda 164. Aliás, os deputados do governo até tinham apoiado o projeto de Aldo Rebelo, mas eram veementemente contra a emenda 164, que basicamente, anistia os crimes ambientais e autoriza novos desmatamentos. Vacarezza chegou inclusive a dizer, em seu pronunciamento, que a presidenta Dilma disse que essa emenda era uma vergonha para o país e que era igualmente uma vergonha que os deputados a estivessem votando.

Essa novo código é de fato um atraso no que diz respeito ao desenvolvimento sustentável. Não sou ambientalista e não participo das mesmas concepções que eles. Mas o que não posso admitir é que estejamos autorizando o desmatamento da amazônia e de outras áreas de proteção ambiental, para a plantação de soja, que no final, servirá de alimento para o gado e não para nossa população. Soja aliás, na maioria dos casos, transgênica. Sabemos das consequências ambientais que isso acarretará para o país. Em pesquisa encomendada pelo governo, 95% da população diz ser contra qualquer retrocesso nas leis de proteção ambiental e contra qualquer desmatamento. É inadmissível. O Brasil poderia produzir mais alimentos utilizando as enormes áreas dos latifúndios improdutivos que existem no país. E em vez de propormos a Reforma Agrária, estamos propondo desmatamento!

De animador nisso tudo, apenas a declaração da presidenta Dilma, de que vetará qualquer projeto que autorize o desmatamento. Antes disso, esperamos que ele seja barrado no Senado. Caso contrário, nos resta nos mobilizarmos e exigirmos de Dilma que vete este projeto vergonhoso!

Por: Paulo Amaro Ferreira

segunda-feira, 4 de abril de 2011

AS ESPOSAS E A FESTA

Ocorrendo de dois em dois anos e tendo nos seus primórdios a comemoração de uma boa safra, a Festa da Uva é um dos principais expoentes a nível nacional da cidade de Caxias do Sul e consequentemente, das suas raízes, costumes e desenvolvimento. Tal festa transcorre no tempo e já está em sua 40° edição, consagrando-se como um evento grandioso, e que vem ressaltar, agora, a pujança econômica caxiense tendo por base a cultura dos primeiros imigrantes italianos, ou seja, a exaltação a religião, ao trabalho e a família. Os primeiro imigrantes que chegaram guiavam-se por essa ética, e assim deixaram suas marcas na fundação de diversas cidades, como Caxias. Ao longo do século XX tudo foi evoluindo e se modificando, conceitos caíram, outros se firmaram, manifestações culturais surgiam pelo mundo todo. Muita gente, de toda a região e de todo o Estado migram para Caxias todos os dias a ponto de termos aqui, atualmente, uma pequeníssima quantidade de descendentes totalmente diretos dos primeiros imigrantes. Isso não é motivo para não comemorarmos a Festa, é claro. O motivo é outro.

É justamente a cultura dominante mantida a custa de todas as outras, e acredito que os valores como os já citados perpetuam no dia a dia desta cidade que se imagina grande, mas em decorrência do pensamento provinciano de alguns é apenas uma cidadezinha inculta, fechada no trabalho, cultuando valores ancestrais e procurando deste modo, manter e principalmente ostentar algum padrão econômico-cultural medíocre. Outro ponto é a fé e a família, e é mais precisamente na família a principal demonstração viva do patriarcal ismo e conseqüente subordinação da mulher ainda existente em pleno 2011. É obvio também que isso não existe apenas em Caxias do Sul, que a subordinação feminina vai muito além do patriarcalismo dos primeiros imigrantes, mas é inegável que essa herança foi passada, praticada e ainda demonstrada publicamente e é de fato parte da cultura dominante. Visando a histórica luta feminina, sendo em Caxias ou no resto do mundo, e suas conquistas até então, é de se considerar absurdo manifestações e praticas favoráveis a tal submissão nos dias de hoje. E é exatamente isso que nossa cidade vem demonstrar na sua orgulhosa Festa. A principio, a comissão organizadora é composta apenas pelo sexo masculino. A representação feminina fica a cargo das rainhas e princesas, que cumprem, obviamente, um dos papeis da mulher: usar a beleza para ser um atrativo, um enfeite e nada mais. E Caxias tem uma longa história de concursos de beleza sem fundamento nenhum, talvez em uma tentativa equivocada de incluir a mulher em algo público, para ficar sorrindo e acenando inutilmente durante um ano ou dois.

Agora resolveram inovar, incluir a mulher na administração da festa, afinal, nem só os homens fizeram Caxias do Sul e a figura da mulher imigrante está lá na BR, ao lado de seu homem, com um filho nos braços, merecendo a nossa completa admiração. O mérito dessas mulheres mães, esposas, rainhas do lar, apaziguadoras, frágeis, fortes, bondosas, trabalhadoras, jamais deve ser esquecido de nossa história. Porem já é tempo de se reconhecer e se dar o devido valor a mulher além das quatro paredes de sua casa, além da dedicação ao marido e aos filhos, e é por isso, por essa independência e reconhecimento que as mulheres lutam. Querem ser alguém alem da esposa do fulano, mãe de beltrano, enfim, somos mais do que nossa vida privada. Ocupamos diversos postos no mercado de trabalho, estudamos, nos dedicamos a ser algo mais que um alguém secundário, uma figura de beleza estética, ou sofrida por ser mulher.

Tudo isso vem de encontro a uma noticia que recebi nos últimos dias: as esposas farão par com seus maridos na organização da Festa da Uva. Alguns dizem “e por que não?”, afinal é tão bonito um casal que trabalha junto! Ok, mas, e a mulher em si, onde está? Por que não pode participar da Festa senão como acompanhante, assistente, secretária, ou é claro, figura de representação estética? Ainda é preciso estar casada para ter um devido reconhecimento? Isso é um valor arcaico que não cabe mais e deveria ser extirpado nos dias de hoje. E se não foi essa a intenção, pelo menos é o transpareceu, e claramente. Pelo visto, por mais que uma mulher se esforce, nunca vai conseguir ser alem de uma sombra de alguém, um objeto incapaz. E olha que temos ótimos exemplos na história de Caxias de mulheres que nunca precisaram de um marido, ou um pai, ou um filho reconhecido para ser alguém na vida. Essa manutenção de certos valores machistas e já ultrapassados só pode acontecer aqui em Caxias na nossa digníssima festa cujo objetivo só pode ser a aculturação. Não estou aqui me colocando contra a festa, ou contra a cidade, as tradições devem sim ser rememoradas, mas alguns conceitos evoluem ao longo da história e é uma completa falta de vergonha a manutenção de alguns deles.

Por Simone

terça-feira, 29 de março de 2011

CONSERVADORISMO E PRECONCEITO NA POLÍTICA

Pudemos assistir boquiabertos na noite dessa última segunda-feira (28), no programa CQC da rede bandeirantes, a entrevista do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), onde vemos ele desfeir frases e opiniões típicas de um ditador de extrema direita.

Na sua entrevista esse cidadão faz comentários do tipo, quando indagado se visse seu filho fumando maconha, o torturava, e se tivesse um filho gay: “Isso nem passa pela minha cabeça, eu dei uma boa educação, fui pai presente, não corro este risco.” Além de disparar palavras contra negros, e a exaltação do período militar, e seus governantes que deixaram uma marca vergonhosa e obscura na nossa história.

É triste, ler e ouvir coisas dessas, hoje em dia, em que cada vez mais se discute a pluralidade, as oportunidades iguais, para homens, mulheres, negros, gays, e etc, e o que pode nos deixar mais impressionados, é que este senhor encontra ressonância na sociedade, que vota, e o colocou como seu representante.

Para assistir a entrevista, acesse o vídeo abaixo e veja a frieza com que é comentado cada pergunta.



 

domingo, 27 de março de 2011

Preconceito é não aceitar as diferenças

Estudante de história da Unipampa (Universidade Federal dos Pampas) foi ameaçado por policiais, após denuncias feitas pelo mesmo de racismo e agressão. Até quando continuaremos a ser perseguidos pela cor da pele? A escravidão acabou há tempos, mas nos mantemos escravos do próprio preconceito.

Por incrível que pareça em certas regiões ainda há um forte preconceito não apenas pela cor da pele, policiais abusam de suas fardas e nada acontece, somos vitimas constantemente de abuso de autoridade, como vocês poderão notar nesse vídeo.


Em cada caso é o mesmo descaso, ninguém faz nada,é muito comum abordagens feitas de maneira brutesca, policiais matando, usando drogas, cobrando propinas e outras coisas que nem vale a pena ressaltar. Até quando usaremos braços para ficarem cruzados, bocas para ficarem caladas e cabeças para condenar?Estamos certo que isso que aconteceu com esse estudante não foi o primeiro caso, e também não será o último!

quarta-feira, 23 de março de 2011

NÓS PAGAMOS POR ESSA CONTA

Recebemos um e-mail com uma possível denuncia da retirada de água da represa do Samuara, por parte de empresas de grande porte da região que não pagam o valor integral dessa água, além da utilização para fins em que poderia ser utilizada a água da chuva, e o cidadão, que usa essa mesma água para beber, esta sujeito a cortes de água, além de pagar na integra, 100% de tudo que consome.
Não temos conhecimento de quem postou tal imagem, e se realmente é verdadeira, cabe as autoridades vir a publico e esclarecer.

Para melhor entender, leiam a imagem a baixo:

quinta-feira, 3 de março de 2011

Atos são Fatos

               Neste dia 1º de março, iniciaram as aulas na maior universidade da região, a Universidade de Caxias do Sul, muita festa na recepção dos calouros em todos os campigns núcleos, shows, telão, chocolates, e etcs. Junto com a festividade foi lançado o primeiro número de 2011 do jornal institucional da universidade chamado Atos & Fatos, um boletim semanal que circula dentro da instituição.
                A capa do jornal traz um pequeno texto sobre a universidade e a palavra do REItor.
                No primeiro momento, o texto que abre o impresso traz o título de “Compromisso com a qualificação”, alguns trechos podemos destacar como por exemplo:
“...a UCS  segue construindo sua trajetória com projetos e ações focados na formação de profissionais e cidadãos capazes de atender às demandas da sociedade...”
                Podemos entender então o sucateamento das disciplinas de humanas, pois a sociedade caxiense valoriza o mecanizado aluno para o trabalho, para a “lida do campo” não um aluno que saiba pensar,  e que tenha um senso crítico apurado, apenas que saiba trabalhar bem.
“...os acadêmicos contam com uma série de serviços, facilidades e novidades. Todas com um objetivo: qualificar e difundir o aprendizado nas áreas de ensino, pesquisa e extensão...”
                A novidade todos nós sabemos, a abusiva decisão dos cortes das cotas de impressão, (que foi  renegociada graças a ação rápida e direta do DCE, mas mesmo assim saímos perdendo) que não nos facilita em nada na nossa qualificação, como se já não bastasse  o aumento do R.U. (Restaurante Universitário), que se tornou um dos R.Us mais caros do estado, e o aumento abusivo das mensalidades., uma castração atrás da outra no ensino desta famigerada universidade.
“...criação de uma ouvidoria e da Central de Atendimento ao Aluno, que visam ampliar a comunicação entre a Universidade e seus diferentes públicos...”
                Com 44 anos de vida a nossa universidade não possuía uma ouvidoria, de repente melhore a aclamada comunicação, pois os estudantes sabem das decisões, que influenciam diretamente na sua vida, da noite para o dia, tornando-se um comunicado, não existe a conversa entre cúpula-estudante, isso é apenas possível depois dos comunicados, o estudante não é convidado para a conversa sobre assuntos referentes à universidade, decisões são tomadas a luz da unilateralidade. A comunicação anda meio falha.
                Vamos a palavra do reitor:
“...Temos a missão de produzir e socializar o conhecimento e, para isso, contamos com infra estrutura, professores e funcionários qualificados...”
                As bolsas de estudo existentes na universidade são frutos do Pró-Uni, e da lei de filantropia que destina uma porcentagem do arrecadado da universidade, para as bolsas, por tanto, essa socialização é obrigatória, não encontramos outro modo praticado pela UCS para socializar este conhecimento, pelo contrário, apenas encontramos entraves, cada vez maiores.
                No quesito infra estrutura, tente conversar com algum aluno do campus 8, que estudam em meio a insetos e toda fauna existente nas redondezas, e salas sem a menor ventilação. Alunos nos relataram que, ou se passa calor, ou se deixa esses insetos entrarem na sala de aula, além de estudos ao som de vacas e ovelhas, e o pequeno monopólio de uma lancheria apenas, por preços exorbitantes, sem comentar outros problemas e os outros campigs núcleos.
                Para o tema dos professores, horas de pesquisas foram cortadas e muitos professores foram e vão ser demitidos, para melhor entender um caso, acesse este link:
http://inativafuncional.blogspot.com/2010/12/quem-perde-e-quem-ganha-na-ucs.html
                A universidade se encontra numa péssima situação, devido à sucessão de más administrações e a continuidade dessas más administrações  por parte do nosso reitor, fechando o ano de 2010 com um défict em torno de 13 milhões, além do anuncio de investimento zero neste ano, mesmo com o grande aumento das mensalidades do ano passado. Já vimos algo semelhante com a ULBRA que quase fechou as portas, será que a UC$ pegou o mesmo caminho?
A.M.P.