Tenho-te aqui meia dúzia de porquês:
Por que tu, que já foste um revolucionário hoje és só ex ?
Por que vós que lutastes contra a monarquia, viveis todos como reis?
Por que no seu mundo-burgo o povo além de servo é freguês?
Por que tu que não segues uma regra se quer, és o que inventas as leis?
Ei burguês,
Desculpe-me se minha meia-dúzia não tem seis
É que não aprendi a contar na mesma escola de vocês
E meus filhos que tinham tudo pra serem pretinhos como os pais
Tem tanta fome, que já perderam a cor sua tez.
Pois a cada salário ínfimo que passa tem mais dia no meu mês
Ei burguês, por que nunca me ensinaram que:
Em toda história do mundo, quando pela primeira vez o poder sair das mãos de uns poucos, e a maioria puder ter voz, e nós (o povo) teremos vez?
Pra eu viver melhor, tenho apenas que extinguir o patrimônio privado e quando tudo a todos for dado, acabará minha tacanhez.
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