O primeiro deles foi Moisés, que tem revelação no alto do monte Sinai e ergueu as mãos para o alto a fim de receber a lei. E dá a primeira grande explicação da vida: “Tudo vem do céu”. A seguir é a vez de Salomão. Ele baixa as mãos do céu para a própria fronte; “Tudo vem daqui... da sabedoria, da luz, da justiça e da inteligência. Tudo vem da cabeça”. Poucos anos passaram e um Cristo fez a mão descer da cabeça ao coração. “Tudo é amor. Ama teu próximo como a ti mesmo. Tudo vem do coração”, coisa, aliás, que funcionou às mil maravilhas até que surgiu um Marx, que fez a mão descer ainda mais, até o estômago. “Tudo está aqui. Os verdadeiros conflitos, o significado dos sentidos e filosofias da vida estão na economia. Aqui, tudo está na barriga.” Mas não tardou e apareceu Freud. Deixa a mão escorregar ainda mais para baixo, com todo respeito, até as partes, enfim, libertinas, amatórias. Explica: “O sentido profundo de tudo está aqui, no sexo”. A esta altura aparece Einstein e lhes dá um basta: “Atenção rapazes! Cuidado: Tudo é relativo”.
(Do livro “A cabeça de Alvise” de Lina Wertmiller- ed. Record.)
E nós que ainda temos um pouco de lucidez, que poderíamos dizer hoje diante deste mundo-sociedade: “Tudo é banal! Tudo é virtual! É preciso consumir”!
Um pequeno texto de Epicuro
Deus quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer e nem pode, ou quer e pode.
Se quer e não e não pode é impotente: o que é impossível em Deus. Se pode e não quer é invejoso: que do mesmo modo é contrário a Deus. Se nem quer e nem pode, é invejoso e impotente: portanto, nem sequer é Deus. Se pode e quer, o que é a única coisa compatível com Deus, donde provém então a existência dos males? Por que razão é que não os impede?”
Uma declaração de Darcy Ribeiro
“Vida, seja qual for, é uma coisa boa. Eu adoro viver e vou tirar dela tudo o que puder, lendo, entendendo, comendo, saboreando e namorando. Não tenho medo da morte, porque, quando ela vier, viro um objeto que esfria para ser comido pelos corós. Essa situação não me preocupa. Se por acaso Deus existe, apesar de até hoje não ter me dado nenhuma prova disso, vou falar com ele de homem para homem e vamos nos entender”.
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