segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Gato Afrodescendente; O Multividas do Subúrbio

Sou gato, grato, multi-vidas, muitos vícios, vários vácuos em mim perdidos.
Sou sex-simbol e símbolo de azar, pretinho, básico, de arrasar.
Sou branco de alma, azul de fome-de-saber, rosa quando feminino devo ser.
Sou amarelo, índio, misto, pardo pra valer, mulato claro, moreno escuro,
Caboclo, cafuzo, confuso, sarará, infinito e além, saravá, shalom e amém.
Mas acima de tudo, sou negro, essa é minha cor, já minha raça é gato, por favor.
Sou carioca da gema, hoje sem algema, sou “váriox serex”, assim “mermo”
Sou terra sem lei, sem eira e nem beira, bola de pelo que não segue termo.
Sou músico famoso, cantor de telhado, faço voz e vídeokê.
Sou lúdico e despentelhado, com gaita, sem gata, sei lá o por quê.
Não sou de dormir muito e esclareço pra você
Apenas descanso os olhos, e sonho enquanto isso me proponho a fazer.
Sou livre de corpo e calda, não tenho casa, moro andando.
Aliança não me castra, só amar pra mim já basta, eu me mando.
Sou leve, sou solto, podes crer, perdoo quem me deve, cobro só por prazer
Sou raro, único na verdade, odeio quem muito late, e pouco tem a dizer.
Não morri todas as vezes que posso, mas renasço a cada nova lua cheia
Com ou sem lençol e meia, com veste de lã ou qualquer outro troço.
Sou da favela, do gueto, da falada da noite, do antimedo, da sacada
Sou do Rio, das minas, de seu São sabe-se lá o que, sei lá.
Sou do Brasil, de Moçambique, Dinamarca, amigo da nobreza.
Sou de Passárgada. Um dia vou-me embora para lá.
Sou eu, sou teu, sou breu de assustar
Sou mel, sou céu, sou noite de luar. (Poesia de rua)

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