O papa liberou a camisinha???
Em uma entrevista ao jornalista Peter Seewald, o papa Bento XVI, deu uma declaração um tanto quanto inusitada, que gerou diversas interpretações e mal entendidos. Após tantos anos, como o bastião da reação, a igreja, poderia estar dando os primeiros passos em direção a uma posição, um pouco mais condizente com nossa época. Porém, é preciso analisar com calma as afirmações, para não entregar tão fácil o título de “moderninho”, ao velho hitlerista, Ratzinger.
Primeiro, nada mudou, essa posição foi expressa apenas em uma entrevista, dentro do livro “A luz do Mundo”, não se trata de uma orientação oficial. E segundo, o conteúdo da afirmação, apenas fala de um mal menor, identificando o fato de que garotos de programa, se sabem que possuem o vírus, não deveriam passa-lo adiante aos seus clientes. Para bem da realidade, essa afirmação me parece mais como um código de conduta entre produtor e consumidor do que propriamente uma nova leitura sobre a sexualidade.
É um avanço, se considerarmos que a igreja, a tempos átras, publicou estudo, dizendo que o vírus conseguia ser contraído independente do uso de preservativos. Mas há que se dizer, que com tantos casos de pedofilia envolvendo padres, essa declaração serve como uma espécie de cortina de fumaça.
Para a igreja o sacramento do matrimônio, ainda, exige a castidade. Bem como, considera a principal arma contra a AIDS, a “humanização da sexualidade”.
Esperamos ver novos ventos varrendo o Vaticano, embora a real força de uma posição do papa, seja hoje, bastante diminuta, representa não apenas sua posição, mas um quase consenso frente ao problema. O papa não é o primeiro a dizer, é o último.
Por T.R.
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